A ASCENSÃO DO LORDE DAS TREVAS.
– Que animador esse título... – Sirius comentou interrompendo Hermione, que ficara subitamente pálida.
A Sra. Weasley fez uma careta de desgosto e os demais se encararam em silêncio.
– Acho que pode prosseguir Mione – Gina incentivou a amiga, que retornou a leitura com uma expressão amarga.
Os dois homens se materializaram inesperadamente, a poucos metros de distância, na estreita ruazinha iluminada pelo luar. Por um momento eles ficaram imóveis, as varinhas apontadas para o peito um do outro; então, reconhecendo-se, guardaram a varinha sob a capa e começaram a andar apressados na mesma direção.
— Novidades? — perguntou o mais alto dos dois.
— As melhores — respondeu Severo Snape.
Os membros da Ordem e os que conheciam a sua situação não falaram nada. Mas Harry ainda não aceitava o fato de Snape ser um Comensal e estar na Ordem ao mesmo tempo, então fechou a cara e olhou feio para o professor de poções.
–Não é o que parece, Harry. – Comentou Dumbledore.
O moreno nada disse contra o diretor, não confiava em si mesmo para abrir a boca, pois logo despejaria umas coisas desagradáveis. Contentou-se em trocar um olhar enraivecido com Ron, que parecia partilhar dos sentimentos do amigo.
A rua era ladeada por um silvado, à esquerda, e por uma sebe alta e cuidadosamente aparada, à direita. As longas capas dos homens esvoaçavam ao redor dos tornozelos enquanto eles caminhavam.
— Pensei que fosse me atrasar — disse Yaxley, suas feições grosseiras desaparecendo e reaparecendo à sombra dos galhos de árvores que se interpunham ao luar. — Foi um pouco mais complicado do que imaginei. Mas acho que ele ficará satisfeito. Você tem certeza de que será bem recebido?
– Ele quem? De quem estão falando? – perguntou Augusta Longbottom.
– Acho que é de você-sabe-quem, vó. – Neville disse baixinho.
– ELE ESTÁ DO LADO DE VOLDEMORT?- Exclamou a senhora apontando para Snape. Muitos ficaram surpresos pelo uso do nome do Lord das Trevas. Dumbledore, no entanto, sorriu calmamente e respondeu:
– Severus tem minha total confiança. Ele está do nosso lado, garanto.
Draco então olhou para Snape com nojo e se afastou do professor. Achava que ele realmente era um Comensal leal, mas pelo visto estava enganado.
Snape assentiu sem, contudo, dar explicações.
– Típico – resmungou Sirius, mas todos ouviram.
– Continue Srta. Granger – insistiu o diretor, antes que Sirius e Severus começassem outra briga.
Os homens viraram para um largo caminho de entrada, à direita. A alta sebe margeava e se estendia para além do impressionante portão de ferro trabalhado que barrava a entrada. Em silêncio, ambos ergueram o braço esquerdo numa espécie de saudação e atravessaram o portão, como se o metal escuro fosse apenas fumaça.
As sebes de teixo abafaram os passos dos homens. Ouviu-se um farfalhar à direita. Yaxley tornou a sacar a varinha, apontando-a por cima da cabeça do seu companheiro, mas a fonte do ruído fora apenas um pavão alvíssimo, que caminhava, majestoso, ao longo do topo da sebe.
— Ele sempre soube viver, o Lúcio. Pavões... — Com um bufo de desdém, Yaxley tornou a guardar a varinha sob a capa.
Olhares foram dirigidos a Malfoy, que apenas sorriu arrogante. Apoiava o pai totalmente quando o assunto era sobre os comensais, embora não gostasse de metade de suas ações. É claro que ninguém precisava saber disso.
Um belo casarão se destacou nas trevas, no final do caminho reto, as luzes faiscando nas janelas em formato de losango do andar térreo. Em algum lugar no jardim escuro, atrás dos arbustos, uma fonte jorrava. O saibro começou a estalar sob os pés, quando Snape e Yaxley apressaram o passo em direção à porta da frente, que se abriu à sua aproximação, embora ninguém parecesse tê-la aberto.
O hall de entrada era grande, mal iluminado e suntuosamente decorado, e um magnífico tapete cobria quase todo o piso de pedra. Os olhos dos rostos pálidos nos retratos das paredes acompanharam Snape e Yaxley assim que eles passaram. Os dois homens se detiveram à frente de uma pesada porta de madeira que levava a outro cômodo, hesitaram o tempo de uma pulsação, então Snape girou a maçaneta de bronze.
Os Weasley ficaram admirados com tanta riqueza. Mas ainda assim preferiam sua velha e aconchegante Toca.
– Bela casa. – Comentou Sirius displicentemente.
Draco manteve o sorriso arrogante. As orelhas de Ron estavam num tom de vermelho vivo.
– Eu sei – comentou Malfoy. Remus deu um riso abafado que fez o loiro arquear a sobrancelha com nojo. – O que acha de tão engraçado, lobisomem?
Lupin não se deixou abalar pelo comentário e todos na mesa olhavam de Draco para o licantropo, não percebendo a cada de desgosto e o baixo rosnado que Teddy deixou escapar, exceto Hermione que estava próxima a ele, que ficou confusa.
–Sirius não elogiaria algo como a mansão Malfoy, menino tolo. – Lupin comentou mansamente – Acha que ele não esteve naquele lugar antes? Lembro-me dele comentar o quanto o gosto de Narcisa para decoração fedia pra ele tanto quanto coco de hipogrifo.
Draco sentiu suas bochechas esquentarem um pouco e desmanchou o sorrisinho besta de seu rosto, enquanto Sirius ladrava sua risada parecida com latidos, e os gêmeos gargalhavam.
Augusta parecia simplesmente satisfeita com a mudança de atitude do garoto, achava-o absurdamente petulante. Nem mesmo Draco e Neville conseguiram evitar que um sorriso tomasse conta de seus lábios.
Minerva gostou sim, mas manteve sua expressão severa. Snape fez uma careta.
Luna e seu pai pareciam completamente avoados. E Gina, bem... Gina observava Harry discretamente, adorando o sorriso calmo nos lábios dele.
Teddy cutucou Hermione que tinha uma indisfarçável cara de satisfação por Draco estar passando vergonha. Ela voltou-se para ele.
– Continua. – Ela assentiu, mas ainda conseguiu ouvir Moody comentando com Kingsley e Tonks:
– Se continuarem com essas interrupções, vamos ter morrido antes de acabar o primeiro capitulo.
A sala estava cheia de pessoas silenciosas, sentadas a uma comprida mesa ornamentada. Os móveis que habitualmente a guarneciam tinham sido empurrados descuidadamente contra as paredes. A iluminação provinha das chamas vivas de uma bela lareira, cujo console de mármore era encimado por um espelho dourado. Snape e Yaxley pararam um instante à entrada. À medida que seus olhos se acostumaram à penumbra, sua atenção foi atraída para o detalhe mais estranho da cena:
O vulto de uma pessoa aparentemente desacordada suspensa de cabeça para baixo sobre a mesa, girando lentamente como se estivesse presa por uma corda invisível, e se refletindo no espelho e na superfície nua e lustrosa da mesa. Nenhuma das pessoas sentadas à roda dessa visão singular a encarava, exceto um jovem pálido que estava praticamente embaixo. Parecia incapaz de se conter e erguia os olhos a todo instante.
– A doninha está com medo, é? – zombou Ron, recebendo um olhar severo da mãe. Malfoy apenas abaixou a cabeça, não entendendo por que repentinamente aquilo lhe parecia um mau sinal.
Molly e os membros mais velhos tomaram esse pedaço por outro ângulo, um mais temível: Quem era a pessoa flutuando?
— Yaxley, Snape — falou uma voz aguda e clara da cabeceira da mesa —, vocês estão praticamente atrasados.
O dono da voz estava sentado defronte à lareira, de modo que, a princípio, os recém-chegados tiveram dificuldade em distinguir mais que a sua silhueta. À medida que se aproximaram, porém, seu rosto se destacou na obscuridade, imberbe, ofídico, com fendas estreitas no lugar das narinas e olhos vermelhos e brilhantes de pupilas verticais. Era tão pálido que parecia emitir uma aura perolada.
– Esse cara dá medo... – George falou.
– Imagina a cara feia dele... – Fred continuou.
– Deve ser muito ruim não ter nariz né. – Sirius completou.
Isso causou alguns risinhos espalhados.
– Acho que os gêmeos ganharam um parceiro. – comentou Gui à Carlinhos, baixo para que sua mãe não os escutasse. O criador de dragões exalou e sorriu.
– Vamos ter mais trabalho, agora que são três.
Mione havia voltado a leitura:
— Severo, aqui — disse Voldemort, indicando a cadeira imediatamente à sua direita. — Yaxley, ao lado de Dolohov.
– NÃO ACREDITO QUE O SNAPE É O BRAÇO DIREITO DE VOLDEMORT. – Harry bradou cansado de tudo aquilo. Toda aquela história de Dumbledore sobre Snape ser fiel a ele não o convencia.
Snape o olhou com desprezo. Potter era igualzinho ao pai. Arrogante e metido. Ia falar alguma coisa àquele insolente quando Teddy o interrompeu:
– Por favor, acalme-se, ainda temos muita leitura pela frente. E também foi pedido que ninguém julgasse ninguém antes do término do livro.
Severus encarou aquele garoto friamente. Era inegável que estava ali para auxiliá-los, então será que ele sabia tudo mesmo? Snape temia que seus segredos tivessem sido revelados.
Os dois homens ocuparam os lugares designados. Os olhares da maioria dos que estavam à mesa seguiram Snape, e foi a ele que Voldemort se dirigiu primeiro.
— E então?
— Milorde, a Ordem da Fênix pretende transferir Harry Potter do lugar seguro em que está, no sábado, ao anoitecer.
– Traidor... – Hermione resmungou baixinho, mas Harry e Ron ouviram e assentiram em concordância.
O interesse ao redor da mesa se intensificou perceptivelmente. Alguns enrijeceram, outros se mexeram, todos atentos a Snape e Voldemort.
— Sábado... Ao anoitecer — repetiu Voldemort. Seus olhos vermelhos se fixaram nos olhos pretos de Snape com tanta intensidade que alguns dos observadores desviaram o olhar, aparentemente receosos de serem atingidos pela ferocidade daquela fixidez. Snape, no entanto, sustentou esse olhar calmamente, e, após um momento, os lábios descarnados de Voldemort se curvaram num aparente sorriso.
– Essa coisa sabe sorrir? – Remus perguntou, enojado.
– Deve ser a visão do inferno. – Tonks falou, arrancando gargalhadas.
— Bom. Muito bom. E essa informação veio de...?
— Da fonte sobre a qual conversamos — disse Snape.
– Ou seja, da Ordem. – Sirius falou.
– Se é que ela ainda existe. – Severus rebateu.
– O que quis dizer com isso? Está planejando alguma coisa? – Ron perguntou rapidamente.
– Acho que ele só quis dizer que até lá muito tempo se passou, e não sabemos o que pode ter acontecido. – Luna disse, para o espanto de todos. Seu pai a olhou orgulhoso e voltou a ter o olhar perdido, como se estivesse em outra dimensão.
Harry sentiu sua garganta dar um nó. Teria a Ordem deixado de existir? Eles estariam bem?
Então algo lampejou em sua mente e ele se sentiu entrar em desespero. Quantos deles poderiam estar mortos?
– Não sei se perceberam o que eu acabei de ler, mas o Professor Snape disse que a ORDEM iria escoltar o Harry. – Indagou Hermione, olhando bem para Harry, que deu um sorriso esperançoso.
– Vamos saber em breve – comentou Teddy – não precisam se preocupar.
— Milorde.
Yaxley tinha se inclinado para a frente procurando ver Voldemort e Snape. Todos os rostos se voltaram para ele.
— Milorde, eu ouvi coisa diferente.
Yaxley aguardou, mas Voldemort não objetOu, então ele prosseguiu.
— Dawlish, o auror, deixou escapar que Potter não será transferido até o dia trinta à noite, na véspera do seu aniversário de dezessete anos.
Snape sorriu.
– Visão do inferno... – cantarolaram os gêmeos. Molly os repreendeu severamente, e até mesmo ao marido que dera um pequeno sorrisinho com a fala dos filhos.
— Minha fonte informou que planejam divulgar uma pista falsa; deve ser essa. Sem dúvida, lançaram em Dawlish um Feitiço para Confundir. Não seria a primeira vez, todos conhecem a sua suscetibilidade a feitiços.
— Posso lhe assegurar, Milorde, que Dawlish me pareceu muito seguro do que dizia — contrapôs Yaxley.
– Se ele foi confundido, é claro que ele parecerá extremamente seguro! – Exclamou Minerva. – Que criatura mais idiota!
Os alunos pareceram meio surpresos com a ultima frase da professora, mas perceberam que toda a tensão da sala a estava perturbando.
Sirius manteve-se em silencio observando as pessoas na sala. Seu olhar pausou em Harry por um longo tempo, admirando a semelhança dele com o pai, e os brilhantes olhos da mãe, antes de pousar os olhos sobre o viajante.
Teddy estava aparentemente à vontade, parecia exalar uma familiaridade com o lugar que o assustava. Percebeu que ele também olhava para todos, e como Sirius também se fixou por alguns segundos em uma pessoa. Seguiu seu olhar e percebeu que encarava a Moody, Kingsley, Tonks e Remus.
Não teve tempo para divagações quanto às emoções que percebeu no olhar do rapaz, logo Hermione tornara a ler.
— Se foi confundido, é óbvio que parecerá seguro — disse Snape. — Garanto a você, Yaxley, que a Seção de Aurores não irá participar da proteção de Harry Potter. A Ordem acredita que estamos infiltrados no Ministério.
— Então, pelo menos nisso a Ordem acertou, hein? — comentou um homem atarracado, a pouca distância de Yaxley, dando uma risadinha sibilada que ecoou pela mesa.
Voldemort não riu. Seu olhar se desviou para o alto, para o corpo que girava vagarosamente, e ele pareceu se alhear.
— Milorde — continuou Yaxley —, Dawlish acredita que vão usar um destacamento inteiro de aurores na transferência do garoto...
Voldemort ergueu a mão grande e branca, e Yaxley calou-se imediatamente, observando, rancoroso, o Lorde se dirigir outra vez a Snape.
— E em seguida, onde irão esconder o garoto?
— Na casa de um dos membros da Ordem — respondeu Snape. — O lugar, segundo a minha fonte, recebeu toda a proteção que a Ordem e o Ministério juntos puderam lhe dar. Acredito que seja mínima a chance de pormos as mãos nele uma vez que chegue ao destino, Milorde, a não ser, é claro, que o Ministério tenha caído antes de sábado, o que, talvez, nos desse a oportunidade de descobrir e desfazer um número suficiente de feitiços, e passar pelos demais.
– Traidooor... – dessa vez quem cantarolou foi Carlinhos, que parecia ter o mesmo ar maroto que os irmãos. Sirius e Remus se encararam e começaram a rir.
Snape parecia ter chupado limão do mais azedo.
— E então, Yaxley? — interpelou-o Voldemort, a luz das chamas se refletindo estranhamente em seus olhos vermelhos. — O Ministério terá caído até sábado?
Mais uma vez, todas as cabeças se viraram. Yaxley empertigou-se.
A Sra. Weasley fez uma careta de desgosto e os demais se encararam em silêncio.
– Acho que pode prosseguir Mione – Gina incentivou a amiga, que retornou a leitura com uma expressão amarga.
Os dois homens se materializaram inesperadamente, a poucos metros de distância, na estreita ruazinha iluminada pelo luar. Por um momento eles ficaram imóveis, as varinhas apontadas para o peito um do outro; então, reconhecendo-se, guardaram a varinha sob a capa e começaram a andar apressados na mesma direção.
— Novidades? — perguntou o mais alto dos dois.
— As melhores — respondeu Severo Snape.
Os membros da Ordem e os que conheciam a sua situação não falaram nada. Mas Harry ainda não aceitava o fato de Snape ser um Comensal e estar na Ordem ao mesmo tempo, então fechou a cara e olhou feio para o professor de poções.
–Não é o que parece, Harry. – Comentou Dumbledore.
O moreno nada disse contra o diretor, não confiava em si mesmo para abrir a boca, pois logo despejaria umas coisas desagradáveis. Contentou-se em trocar um olhar enraivecido com Ron, que parecia partilhar dos sentimentos do amigo.
A rua era ladeada por um silvado, à esquerda, e por uma sebe alta e cuidadosamente aparada, à direita. As longas capas dos homens esvoaçavam ao redor dos tornozelos enquanto eles caminhavam.
— Pensei que fosse me atrasar — disse Yaxley, suas feições grosseiras desaparecendo e reaparecendo à sombra dos galhos de árvores que se interpunham ao luar. — Foi um pouco mais complicado do que imaginei. Mas acho que ele ficará satisfeito. Você tem certeza de que será bem recebido?
– Ele quem? De quem estão falando? – perguntou Augusta Longbottom.
– Acho que é de você-sabe-quem, vó. – Neville disse baixinho.
– ELE ESTÁ DO LADO DE VOLDEMORT?- Exclamou a senhora apontando para Snape. Muitos ficaram surpresos pelo uso do nome do Lord das Trevas. Dumbledore, no entanto, sorriu calmamente e respondeu:
– Severus tem minha total confiança. Ele está do nosso lado, garanto.
Draco então olhou para Snape com nojo e se afastou do professor. Achava que ele realmente era um Comensal leal, mas pelo visto estava enganado.
Snape assentiu sem, contudo, dar explicações.
– Típico – resmungou Sirius, mas todos ouviram.
– Continue Srta. Granger – insistiu o diretor, antes que Sirius e Severus começassem outra briga.
Os homens viraram para um largo caminho de entrada, à direita. A alta sebe margeava e se estendia para além do impressionante portão de ferro trabalhado que barrava a entrada. Em silêncio, ambos ergueram o braço esquerdo numa espécie de saudação e atravessaram o portão, como se o metal escuro fosse apenas fumaça.
As sebes de teixo abafaram os passos dos homens. Ouviu-se um farfalhar à direita. Yaxley tornou a sacar a varinha, apontando-a por cima da cabeça do seu companheiro, mas a fonte do ruído fora apenas um pavão alvíssimo, que caminhava, majestoso, ao longo do topo da sebe.
— Ele sempre soube viver, o Lúcio. Pavões... — Com um bufo de desdém, Yaxley tornou a guardar a varinha sob a capa.
Olhares foram dirigidos a Malfoy, que apenas sorriu arrogante. Apoiava o pai totalmente quando o assunto era sobre os comensais, embora não gostasse de metade de suas ações. É claro que ninguém precisava saber disso.
Um belo casarão se destacou nas trevas, no final do caminho reto, as luzes faiscando nas janelas em formato de losango do andar térreo. Em algum lugar no jardim escuro, atrás dos arbustos, uma fonte jorrava. O saibro começou a estalar sob os pés, quando Snape e Yaxley apressaram o passo em direção à porta da frente, que se abriu à sua aproximação, embora ninguém parecesse tê-la aberto.
O hall de entrada era grande, mal iluminado e suntuosamente decorado, e um magnífico tapete cobria quase todo o piso de pedra. Os olhos dos rostos pálidos nos retratos das paredes acompanharam Snape e Yaxley assim que eles passaram. Os dois homens se detiveram à frente de uma pesada porta de madeira que levava a outro cômodo, hesitaram o tempo de uma pulsação, então Snape girou a maçaneta de bronze.
Os Weasley ficaram admirados com tanta riqueza. Mas ainda assim preferiam sua velha e aconchegante Toca.
– Bela casa. – Comentou Sirius displicentemente.
Draco manteve o sorriso arrogante. As orelhas de Ron estavam num tom de vermelho vivo.
– Eu sei – comentou Malfoy. Remus deu um riso abafado que fez o loiro arquear a sobrancelha com nojo. – O que acha de tão engraçado, lobisomem?
Lupin não se deixou abalar pelo comentário e todos na mesa olhavam de Draco para o licantropo, não percebendo a cada de desgosto e o baixo rosnado que Teddy deixou escapar, exceto Hermione que estava próxima a ele, que ficou confusa.
–Sirius não elogiaria algo como a mansão Malfoy, menino tolo. – Lupin comentou mansamente – Acha que ele não esteve naquele lugar antes? Lembro-me dele comentar o quanto o gosto de Narcisa para decoração fedia pra ele tanto quanto coco de hipogrifo.
Draco sentiu suas bochechas esquentarem um pouco e desmanchou o sorrisinho besta de seu rosto, enquanto Sirius ladrava sua risada parecida com latidos, e os gêmeos gargalhavam.
Augusta parecia simplesmente satisfeita com a mudança de atitude do garoto, achava-o absurdamente petulante. Nem mesmo Draco e Neville conseguiram evitar que um sorriso tomasse conta de seus lábios.
Minerva gostou sim, mas manteve sua expressão severa. Snape fez uma careta.
Luna e seu pai pareciam completamente avoados. E Gina, bem... Gina observava Harry discretamente, adorando o sorriso calmo nos lábios dele.
Teddy cutucou Hermione que tinha uma indisfarçável cara de satisfação por Draco estar passando vergonha. Ela voltou-se para ele.
– Continua. – Ela assentiu, mas ainda conseguiu ouvir Moody comentando com Kingsley e Tonks:
– Se continuarem com essas interrupções, vamos ter morrido antes de acabar o primeiro capitulo.
A sala estava cheia de pessoas silenciosas, sentadas a uma comprida mesa ornamentada. Os móveis que habitualmente a guarneciam tinham sido empurrados descuidadamente contra as paredes. A iluminação provinha das chamas vivas de uma bela lareira, cujo console de mármore era encimado por um espelho dourado. Snape e Yaxley pararam um instante à entrada. À medida que seus olhos se acostumaram à penumbra, sua atenção foi atraída para o detalhe mais estranho da cena:
O vulto de uma pessoa aparentemente desacordada suspensa de cabeça para baixo sobre a mesa, girando lentamente como se estivesse presa por uma corda invisível, e se refletindo no espelho e na superfície nua e lustrosa da mesa. Nenhuma das pessoas sentadas à roda dessa visão singular a encarava, exceto um jovem pálido que estava praticamente embaixo. Parecia incapaz de se conter e erguia os olhos a todo instante.
– A doninha está com medo, é? – zombou Ron, recebendo um olhar severo da mãe. Malfoy apenas abaixou a cabeça, não entendendo por que repentinamente aquilo lhe parecia um mau sinal.
Molly e os membros mais velhos tomaram esse pedaço por outro ângulo, um mais temível: Quem era a pessoa flutuando?
— Yaxley, Snape — falou uma voz aguda e clara da cabeceira da mesa —, vocês estão praticamente atrasados.
O dono da voz estava sentado defronte à lareira, de modo que, a princípio, os recém-chegados tiveram dificuldade em distinguir mais que a sua silhueta. À medida que se aproximaram, porém, seu rosto se destacou na obscuridade, imberbe, ofídico, com fendas estreitas no lugar das narinas e olhos vermelhos e brilhantes de pupilas verticais. Era tão pálido que parecia emitir uma aura perolada.
– Esse cara dá medo... – George falou.
– Imagina a cara feia dele... – Fred continuou.
– Deve ser muito ruim não ter nariz né. – Sirius completou.
Isso causou alguns risinhos espalhados.
– Acho que os gêmeos ganharam um parceiro. – comentou Gui à Carlinhos, baixo para que sua mãe não os escutasse. O criador de dragões exalou e sorriu.
– Vamos ter mais trabalho, agora que são três.
Mione havia voltado a leitura:
— Severo, aqui — disse Voldemort, indicando a cadeira imediatamente à sua direita. — Yaxley, ao lado de Dolohov.
– NÃO ACREDITO QUE O SNAPE É O BRAÇO DIREITO DE VOLDEMORT. – Harry bradou cansado de tudo aquilo. Toda aquela história de Dumbledore sobre Snape ser fiel a ele não o convencia.
Snape o olhou com desprezo. Potter era igualzinho ao pai. Arrogante e metido. Ia falar alguma coisa àquele insolente quando Teddy o interrompeu:
– Por favor, acalme-se, ainda temos muita leitura pela frente. E também foi pedido que ninguém julgasse ninguém antes do término do livro.
Severus encarou aquele garoto friamente. Era inegável que estava ali para auxiliá-los, então será que ele sabia tudo mesmo? Snape temia que seus segredos tivessem sido revelados.
Os dois homens ocuparam os lugares designados. Os olhares da maioria dos que estavam à mesa seguiram Snape, e foi a ele que Voldemort se dirigiu primeiro.
— E então?
— Milorde, a Ordem da Fênix pretende transferir Harry Potter do lugar seguro em que está, no sábado, ao anoitecer.
– Traidor... – Hermione resmungou baixinho, mas Harry e Ron ouviram e assentiram em concordância.
O interesse ao redor da mesa se intensificou perceptivelmente. Alguns enrijeceram, outros se mexeram, todos atentos a Snape e Voldemort.
— Sábado... Ao anoitecer — repetiu Voldemort. Seus olhos vermelhos se fixaram nos olhos pretos de Snape com tanta intensidade que alguns dos observadores desviaram o olhar, aparentemente receosos de serem atingidos pela ferocidade daquela fixidez. Snape, no entanto, sustentou esse olhar calmamente, e, após um momento, os lábios descarnados de Voldemort se curvaram num aparente sorriso.
– Essa coisa sabe sorrir? – Remus perguntou, enojado.
– Deve ser a visão do inferno. – Tonks falou, arrancando gargalhadas.
— Bom. Muito bom. E essa informação veio de...?
— Da fonte sobre a qual conversamos — disse Snape.
– Ou seja, da Ordem. – Sirius falou.
– Se é que ela ainda existe. – Severus rebateu.
– O que quis dizer com isso? Está planejando alguma coisa? – Ron perguntou rapidamente.
– Acho que ele só quis dizer que até lá muito tempo se passou, e não sabemos o que pode ter acontecido. – Luna disse, para o espanto de todos. Seu pai a olhou orgulhoso e voltou a ter o olhar perdido, como se estivesse em outra dimensão.
Harry sentiu sua garganta dar um nó. Teria a Ordem deixado de existir? Eles estariam bem?
Então algo lampejou em sua mente e ele se sentiu entrar em desespero. Quantos deles poderiam estar mortos?
– Não sei se perceberam o que eu acabei de ler, mas o Professor Snape disse que a ORDEM iria escoltar o Harry. – Indagou Hermione, olhando bem para Harry, que deu um sorriso esperançoso.
– Vamos saber em breve – comentou Teddy – não precisam se preocupar.
— Milorde.
Yaxley tinha se inclinado para a frente procurando ver Voldemort e Snape. Todos os rostos se voltaram para ele.
— Milorde, eu ouvi coisa diferente.
Yaxley aguardou, mas Voldemort não objetOu, então ele prosseguiu.
— Dawlish, o auror, deixou escapar que Potter não será transferido até o dia trinta à noite, na véspera do seu aniversário de dezessete anos.
Snape sorriu.
– Visão do inferno... – cantarolaram os gêmeos. Molly os repreendeu severamente, e até mesmo ao marido que dera um pequeno sorrisinho com a fala dos filhos.
— Minha fonte informou que planejam divulgar uma pista falsa; deve ser essa. Sem dúvida, lançaram em Dawlish um Feitiço para Confundir. Não seria a primeira vez, todos conhecem a sua suscetibilidade a feitiços.
— Posso lhe assegurar, Milorde, que Dawlish me pareceu muito seguro do que dizia — contrapôs Yaxley.
– Se ele foi confundido, é claro que ele parecerá extremamente seguro! – Exclamou Minerva. – Que criatura mais idiota!
Os alunos pareceram meio surpresos com a ultima frase da professora, mas perceberam que toda a tensão da sala a estava perturbando.
Sirius manteve-se em silencio observando as pessoas na sala. Seu olhar pausou em Harry por um longo tempo, admirando a semelhança dele com o pai, e os brilhantes olhos da mãe, antes de pousar os olhos sobre o viajante.
Teddy estava aparentemente à vontade, parecia exalar uma familiaridade com o lugar que o assustava. Percebeu que ele também olhava para todos, e como Sirius também se fixou por alguns segundos em uma pessoa. Seguiu seu olhar e percebeu que encarava a Moody, Kingsley, Tonks e Remus.
Não teve tempo para divagações quanto às emoções que percebeu no olhar do rapaz, logo Hermione tornara a ler.
— Se foi confundido, é óbvio que parecerá seguro — disse Snape. — Garanto a você, Yaxley, que a Seção de Aurores não irá participar da proteção de Harry Potter. A Ordem acredita que estamos infiltrados no Ministério.
— Então, pelo menos nisso a Ordem acertou, hein? — comentou um homem atarracado, a pouca distância de Yaxley, dando uma risadinha sibilada que ecoou pela mesa.
Voldemort não riu. Seu olhar se desviou para o alto, para o corpo que girava vagarosamente, e ele pareceu se alhear.
— Milorde — continuou Yaxley —, Dawlish acredita que vão usar um destacamento inteiro de aurores na transferência do garoto...
Voldemort ergueu a mão grande e branca, e Yaxley calou-se imediatamente, observando, rancoroso, o Lorde se dirigir outra vez a Snape.
— E em seguida, onde irão esconder o garoto?
— Na casa de um dos membros da Ordem — respondeu Snape. — O lugar, segundo a minha fonte, recebeu toda a proteção que a Ordem e o Ministério juntos puderam lhe dar. Acredito que seja mínima a chance de pormos as mãos nele uma vez que chegue ao destino, Milorde, a não ser, é claro, que o Ministério tenha caído antes de sábado, o que, talvez, nos desse a oportunidade de descobrir e desfazer um número suficiente de feitiços, e passar pelos demais.
– Traidooor... – dessa vez quem cantarolou foi Carlinhos, que parecia ter o mesmo ar maroto que os irmãos. Sirius e Remus se encararam e começaram a rir.
Snape parecia ter chupado limão do mais azedo.
— E então, Yaxley? — interpelou-o Voldemort, a luz das chamas se refletindo estranhamente em seus olhos vermelhos. — O Ministério terá caído até sábado?
Mais uma vez, todas as cabeças se viraram. Yaxley empertigou-se.
— Milorde, a esse respeito tenho boas notícias. Consegui, com dificuldade e após muito esforço, lançar uma Maldição Imperius em Pio Thicknesse.
– Oh, pelo visto Fudge não é mais o Ministro da Magia. – Sr. Weasley falou, surpreso.
– Já estão planejando a tomada do Ministério, Alvo – comentou Minerva. – As coisas estão verdadeiramente ruins.
Dumbledore meneou com a cabeça, seus olhos azuis lampejando enquanto pensava como impedir que Tom tome o poder.
Muitos dos que estavam próximos de Yaxley pareceram impressionados; seu vizinho, Dolohov, um homem de cara triste e torta, deu-lhe um tapinha nas costas.
Kingsley bufou, as atitudes dos comensais o deixavam enojado. Draco estava cada vez mais encolhido.
— É um começo — disse Voldemort —, mas Thicknesse é apenas um homem, Scrimgeour precisa estar cercado por gente nossa para eu agir. Um atentado mal sucedido à vida do ministro me causará um enorme atraso.
– Quem é Scrimgeour? – Neville perguntou.
– Atualmente é o Chefe dos Aurores, mas pelo visto, será o próximo ministro. – Dumbledore respondeu.
— É verdade, Milorde, mas o senhor sabe que, na função de chefe do Departamento de Execução das Leis da Magia, Thicknesse tem contato freqüente não só com o próprio ministro como também com os chefes dos outros departamentos do Ministério. Acho que será fácil dominar os demais, agora que temos um funcionário graduado sob controle, e então todos podem trabalhar juntos para derrubar Scrimgeour.
— Isso se o nosso amigo Thicknesse não for descoberto antes de ter convertido o resto — afirmou Voldemort. — De qualquer forma, é pouco provável que o Ministério seja meu antes de sábado. Se não pudermos pôr a mão no garoto no lugar de destino, então teremos que fazer isso durante a transferência.
— Nesse particular, estamos em posição vantajosa, Milorde — Disse Yaxley, que parecia decidido a receber alguma aprovação. — Já plantamos várias pessoas no Departamento de Transportes Mágicos. Se Potter aparatar ou usar a Rede de Flu, saberemos imediatamente.
– Como? – Harry perguntou assustado.
– O rastreador, Harry, o rastreador... – Hermione respondeu impaciente.
– Aaah... – o moreno falou.
— Ele não fará nenhum dos dois — disse Snape. — A Ordem está evitando qualquer forma de transporte controlada ou regulada pelo Ministério, desconfiam de tudo que esteja ligado àquele lugar.
— Tanto melhor — disse Voldemort. — Ele terá que se deslocar em campo aberto. Será muitíssimo mais fácil apanhá-lo.
– Não se Harry estiver voando. – Sirius falou orgulhoso. O afilhado deu um sorriso de contentamento, e Teddy não conseguiu esconder o sorriso ao ver Potter tão feliz. Ele terá uma chance de salvar as pessoas que ama, estou feliz por ter concordado em vir. – Refletiu o, atualmente, castanho.
Mais uma vez Voldemort ergueu o olhar para o corpo que girava vagarosamente, então prosseguiu:
— Cuidarei do garoto pessoalmente. Cometeram-se erros demais com relação a Harry Potter. Alguns foram meus. Que Potter ainda viva deve-se mais aos meus erros do que aos seus êxitos.
Harry sentiu um arrepio na espinha. Pelo visto, enfrentaria Voldemort cara a cara mais vezes. Todos na cozinha pareciam ter pensado a mesma coisa, pois olhares penosos e preocupados foram lançados ao moreno, exceto por Draco e Snape.
As pessoas em volta da mesa fitaram Voldemort apreensivas, cada qual deixando transparecer o medo de ser responsabilizada por Harry Potter ainda estar vivo. Voldemort, no entanto, parecia estar falando mais consigo mesmo do que com os demais, ainda atento ao corpo inconsciente no alto.
— Por ter sido descuidado, fui frustrado pela sorte e a ocasião, essas destruidoras dos planos, a não ser os mais bem traçados. Mas aprendi. Agora compreendo coisas que antes não compreendia. Eu é que devo matar Harry Potter, e assim farei.
Dumbledore suspirou. Todas as pessoas estavam em choque com essa revelação, menos Harry, que percebeu a ação do professor, olhou-o com raiva e perguntou entre dentes:
– O senhor já sabia? – era possível sentir toda a frustação e raiva em cada palavra. – O SENHOR JÁ SABIA DISSO E NUNCA DISSE NADA?
– Harry, não fale assim com o professor Dumb... – Hermione começou a o repreender. Rony segurou o braço da amiga e balançou a cabeça. Os olhos raivosos e hesitantes do ruivo a assustaram.
– Deixa, Hermione, ele está certo. – Sirius sibilou. Também estava nervoso, Dumbledore não tinha aquele direito.
– Harry, eu estava esperando a hora certa... – o diretor respondeu, mas foi interrompido por Remus.
– ESPERANDO O QUE? ALGUÉM MORRER PROTEGENDO-O PARA CONTÁ-LO? – A reação do tão controlado Remus assustou a todos, e Teddy, ao ouvir isso, se mexeu desconfortavelmente na cadeira – movimento que foi percebido por Harry – e falou:
– Err, sem brigas, esqueceram? Vamos continuar a leitura, tudo bem? Mais tarde eu esclareço algumas coisas. – Os olhos de Luna e seu pai ainda estavam demonstrando certa surpresa, e Neville encarava Lupin de boca aberta. Malfoy parecia assustado, e Augusta lhe mandou um olhar gélido para que ele não levantasse da cadeira, como parecia querer.
Remus, Harry e Sirius assentiram forçadamente. Dumbledore deu um sorriso de agradecimento a Teddy, e o jovem pediu para que Hermione continuasse a ler, sem encarar o diretor.
Nisso, e em aparente resposta às suas palavras, ouviu-se um lamento repentino, um grito terrível e prolongado de infelicidade e dor. Muitos ao redor da mesa olharam para baixo, assustados, pois o som parecia vir do chão.
— Rabicho?
– TRAIDOR DE UMA FIGA.
– Acalme-se Sirius. – Arthur pediu, dando tapinhas nos ombros do animago.
Remus e Harry “rosnaram” à menção de Rabicho. Ron deu um bufo em desgosto, enquanto Hermione apertava o livro com força. O Ruivo lembrando sobre como se sentia raivoso e culpado por abrigar, mesmo sem ser de seu conhecimento, o homem que matou os pais de seu melhor amigo. A Castanha, lembrando o terceiro ano conturbado, e os perigos que passaram por causa do rato.
— chamou Voldemort, sem alterar o seu tom de voz, baixo e reflexivo, e sem tirar os olhos do corpo que girava no alto. — Já não lhe disse para manter essa escória calada?
— Disse, M-Milorde — falou um homenzinho sentado na segunda metade da mesa, tão encolhido que, à primeira vista, sua cadeira parecia estar desocupada. E, levantando-se de um salto, saiu correndo da sala, deixando em seu rastro apenas um estranho brilho prateado.
— Como eu ia dizendo — continuou Voldemort, olhando mais uma vez para os rostos tensos dos seus seguidores —, agora compreendo melhor. Precisarei, por exemplo, pedir emprestada a varinha de um de vocês antes de sair para matar Potter.
– Por quê? – Moody perguntou.
– Talvez porque as nossas varinhas sejam gêmeas... – Harry murmurou, mas no silêncio do porão todos ouviram.
– E COMO VOCÊ NUNCA NOS DISSE ISSO? – Hermione, Ron, Sirius, Remus, Neville, Gina e os gêmeos exclamaram, até mesmo Luna falara aquilo, embora naquele seu tom disperso.
– Achei que não seria importante... – Ele respondeu e todos bufaram. Como às vezes ele era idiota!
Os rostos à sua volta expressaram apenas incredulidade; como se ele tivesse anunciado que queria um braço deles emprestado.
— Nenhum voluntário? — perguntou Voldemort. — Vejamos... Lucius, não vejo razão para você continuar a ter uma varinha.
À menção de seu pai, Draco pareceu ficar mais alerta.
Lucius Malfoy ergueu a cabeça. Sua pele parecia amarela e cerosa à luz das chamas, e tinha os olhos encovados e sombrios. Quando falou, sua voz saiu rouca.
— Milorde?
— Sua varinha, Lucius. Preciso de sua varinha.
— Eu...
Malfoy olhou de esguelha para sua mulher. Narcisa tinha o olhar fixo à frente, tão pálida quanto o marido, os longos cabelos louros descendo pelas costas, mas, sob a mesa, seus dedos finos apertaram brevemente o pulso dele. Ao seu toque, Malfoy enfiou a mão nas vestes e tirou uma varinha que passou a Voldemort, que a ergueu diante dos olhos vermelhos e examinou-a detidamente.
Draco estava em um verdadeiro debate interior. O que diabos era aquilo tudo? Sua mãe estava envolvida em tudo aquilo juntamente dele e do marido mesmo sendo contra sua vontade? Merlin, seu pai acabara de dar a varinha para o Lorde das Trevas. Sentiu seu mundo virar de cabeça para baixo.
— De que é?
— Olmo, Milorde — sussurrou Malfoy.
— E o núcleo?
— Dragão... fibra do coração.
— Ótimo — aprovou Voldemort. E, sacando a própria varinha, comparou os comprimentos.
Lucius Malfoy fez um movimento involuntário; por uma fração de segundo, pareceu que esperava receber a varinha de Voldemort em troca da sua. O gesto não passou despercebido ao Lorde, cujos olhos se arregalaram maliciosamente.
– Às vezes Lucius é tão idiota. – Snape disse secamente.
– Ei! Não fale assim do meu pai.
– Você não pode dizer que ele está mentido, Malfoy. – disse Fred.
– Agora sabemos de onde vem toda sua idiotice. – George completou.
— Dar-lhe a minha varinha, Lucius? Minha varinha?
Alguns dos presentes riram.
– Oh, pelo visto Fudge não é mais o Ministro da Magia. – Sr. Weasley falou, surpreso.
– Já estão planejando a tomada do Ministério, Alvo – comentou Minerva. – As coisas estão verdadeiramente ruins.
Dumbledore meneou com a cabeça, seus olhos azuis lampejando enquanto pensava como impedir que Tom tome o poder.
Muitos dos que estavam próximos de Yaxley pareceram impressionados; seu vizinho, Dolohov, um homem de cara triste e torta, deu-lhe um tapinha nas costas.
Kingsley bufou, as atitudes dos comensais o deixavam enojado. Draco estava cada vez mais encolhido.
— É um começo — disse Voldemort —, mas Thicknesse é apenas um homem, Scrimgeour precisa estar cercado por gente nossa para eu agir. Um atentado mal sucedido à vida do ministro me causará um enorme atraso.
– Quem é Scrimgeour? – Neville perguntou.
– Atualmente é o Chefe dos Aurores, mas pelo visto, será o próximo ministro. – Dumbledore respondeu.
— É verdade, Milorde, mas o senhor sabe que, na função de chefe do Departamento de Execução das Leis da Magia, Thicknesse tem contato freqüente não só com o próprio ministro como também com os chefes dos outros departamentos do Ministério. Acho que será fácil dominar os demais, agora que temos um funcionário graduado sob controle, e então todos podem trabalhar juntos para derrubar Scrimgeour.
— Isso se o nosso amigo Thicknesse não for descoberto antes de ter convertido o resto — afirmou Voldemort. — De qualquer forma, é pouco provável que o Ministério seja meu antes de sábado. Se não pudermos pôr a mão no garoto no lugar de destino, então teremos que fazer isso durante a transferência.
— Nesse particular, estamos em posição vantajosa, Milorde — Disse Yaxley, que parecia decidido a receber alguma aprovação. — Já plantamos várias pessoas no Departamento de Transportes Mágicos. Se Potter aparatar ou usar a Rede de Flu, saberemos imediatamente.
– Como? – Harry perguntou assustado.
– O rastreador, Harry, o rastreador... – Hermione respondeu impaciente.
– Aaah... – o moreno falou.
— Ele não fará nenhum dos dois — disse Snape. — A Ordem está evitando qualquer forma de transporte controlada ou regulada pelo Ministério, desconfiam de tudo que esteja ligado àquele lugar.
— Tanto melhor — disse Voldemort. — Ele terá que se deslocar em campo aberto. Será muitíssimo mais fácil apanhá-lo.
– Não se Harry estiver voando. – Sirius falou orgulhoso. O afilhado deu um sorriso de contentamento, e Teddy não conseguiu esconder o sorriso ao ver Potter tão feliz. Ele terá uma chance de salvar as pessoas que ama, estou feliz por ter concordado em vir. – Refletiu o, atualmente, castanho.
Mais uma vez Voldemort ergueu o olhar para o corpo que girava vagarosamente, então prosseguiu:
— Cuidarei do garoto pessoalmente. Cometeram-se erros demais com relação a Harry Potter. Alguns foram meus. Que Potter ainda viva deve-se mais aos meus erros do que aos seus êxitos.
Harry sentiu um arrepio na espinha. Pelo visto, enfrentaria Voldemort cara a cara mais vezes. Todos na cozinha pareciam ter pensado a mesma coisa, pois olhares penosos e preocupados foram lançados ao moreno, exceto por Draco e Snape.
As pessoas em volta da mesa fitaram Voldemort apreensivas, cada qual deixando transparecer o medo de ser responsabilizada por Harry Potter ainda estar vivo. Voldemort, no entanto, parecia estar falando mais consigo mesmo do que com os demais, ainda atento ao corpo inconsciente no alto.
— Por ter sido descuidado, fui frustrado pela sorte e a ocasião, essas destruidoras dos planos, a não ser os mais bem traçados. Mas aprendi. Agora compreendo coisas que antes não compreendia. Eu é que devo matar Harry Potter, e assim farei.
Dumbledore suspirou. Todas as pessoas estavam em choque com essa revelação, menos Harry, que percebeu a ação do professor, olhou-o com raiva e perguntou entre dentes:
– O senhor já sabia? – era possível sentir toda a frustação e raiva em cada palavra. – O SENHOR JÁ SABIA DISSO E NUNCA DISSE NADA?
– Harry, não fale assim com o professor Dumb... – Hermione começou a o repreender. Rony segurou o braço da amiga e balançou a cabeça. Os olhos raivosos e hesitantes do ruivo a assustaram.
– Deixa, Hermione, ele está certo. – Sirius sibilou. Também estava nervoso, Dumbledore não tinha aquele direito.
– Harry, eu estava esperando a hora certa... – o diretor respondeu, mas foi interrompido por Remus.
– ESPERANDO O QUE? ALGUÉM MORRER PROTEGENDO-O PARA CONTÁ-LO? – A reação do tão controlado Remus assustou a todos, e Teddy, ao ouvir isso, se mexeu desconfortavelmente na cadeira – movimento que foi percebido por Harry – e falou:
– Err, sem brigas, esqueceram? Vamos continuar a leitura, tudo bem? Mais tarde eu esclareço algumas coisas. – Os olhos de Luna e seu pai ainda estavam demonstrando certa surpresa, e Neville encarava Lupin de boca aberta. Malfoy parecia assustado, e Augusta lhe mandou um olhar gélido para que ele não levantasse da cadeira, como parecia querer.
Remus, Harry e Sirius assentiram forçadamente. Dumbledore deu um sorriso de agradecimento a Teddy, e o jovem pediu para que Hermione continuasse a ler, sem encarar o diretor.
Nisso, e em aparente resposta às suas palavras, ouviu-se um lamento repentino, um grito terrível e prolongado de infelicidade e dor. Muitos ao redor da mesa olharam para baixo, assustados, pois o som parecia vir do chão.
— Rabicho?
– TRAIDOR DE UMA FIGA.
– Acalme-se Sirius. – Arthur pediu, dando tapinhas nos ombros do animago.
Remus e Harry “rosnaram” à menção de Rabicho. Ron deu um bufo em desgosto, enquanto Hermione apertava o livro com força. O Ruivo lembrando sobre como se sentia raivoso e culpado por abrigar, mesmo sem ser de seu conhecimento, o homem que matou os pais de seu melhor amigo. A Castanha, lembrando o terceiro ano conturbado, e os perigos que passaram por causa do rato.
— chamou Voldemort, sem alterar o seu tom de voz, baixo e reflexivo, e sem tirar os olhos do corpo que girava no alto. — Já não lhe disse para manter essa escória calada?
— Disse, M-Milorde — falou um homenzinho sentado na segunda metade da mesa, tão encolhido que, à primeira vista, sua cadeira parecia estar desocupada. E, levantando-se de um salto, saiu correndo da sala, deixando em seu rastro apenas um estranho brilho prateado.
— Como eu ia dizendo — continuou Voldemort, olhando mais uma vez para os rostos tensos dos seus seguidores —, agora compreendo melhor. Precisarei, por exemplo, pedir emprestada a varinha de um de vocês antes de sair para matar Potter.
– Por quê? – Moody perguntou.
– Talvez porque as nossas varinhas sejam gêmeas... – Harry murmurou, mas no silêncio do porão todos ouviram.
– E COMO VOCÊ NUNCA NOS DISSE ISSO? – Hermione, Ron, Sirius, Remus, Neville, Gina e os gêmeos exclamaram, até mesmo Luna falara aquilo, embora naquele seu tom disperso.
– Achei que não seria importante... – Ele respondeu e todos bufaram. Como às vezes ele era idiota!
Os rostos à sua volta expressaram apenas incredulidade; como se ele tivesse anunciado que queria um braço deles emprestado.
— Nenhum voluntário? — perguntou Voldemort. — Vejamos... Lucius, não vejo razão para você continuar a ter uma varinha.
À menção de seu pai, Draco pareceu ficar mais alerta.
Lucius Malfoy ergueu a cabeça. Sua pele parecia amarela e cerosa à luz das chamas, e tinha os olhos encovados e sombrios. Quando falou, sua voz saiu rouca.
— Milorde?
— Sua varinha, Lucius. Preciso de sua varinha.
— Eu...
Malfoy olhou de esguelha para sua mulher. Narcisa tinha o olhar fixo à frente, tão pálida quanto o marido, os longos cabelos louros descendo pelas costas, mas, sob a mesa, seus dedos finos apertaram brevemente o pulso dele. Ao seu toque, Malfoy enfiou a mão nas vestes e tirou uma varinha que passou a Voldemort, que a ergueu diante dos olhos vermelhos e examinou-a detidamente.
Draco estava em um verdadeiro debate interior. O que diabos era aquilo tudo? Sua mãe estava envolvida em tudo aquilo juntamente dele e do marido mesmo sendo contra sua vontade? Merlin, seu pai acabara de dar a varinha para o Lorde das Trevas. Sentiu seu mundo virar de cabeça para baixo.
— De que é?
— Olmo, Milorde — sussurrou Malfoy.
— E o núcleo?
— Dragão... fibra do coração.
— Ótimo — aprovou Voldemort. E, sacando a própria varinha, comparou os comprimentos.
Lucius Malfoy fez um movimento involuntário; por uma fração de segundo, pareceu que esperava receber a varinha de Voldemort em troca da sua. O gesto não passou despercebido ao Lorde, cujos olhos se arregalaram maliciosamente.
– Às vezes Lucius é tão idiota. – Snape disse secamente.
– Ei! Não fale assim do meu pai.
– Você não pode dizer que ele está mentido, Malfoy. – disse Fred.
– Agora sabemos de onde vem toda sua idiotice. – George completou.
— Dar-lhe a minha varinha, Lucius? Minha varinha?
Alguns dos presentes riram.
— Dei-lhe a liberdade, Lucius, não é suficiente? Mas tenho notado que você e sua família ultimamente parecem menos felizes... alguma coisa na minha presença em sua casa os incomoda, Lucius?
– LIBERDADE? COMO ASSIM? – Draco perguntou desesperado, nem havia percebido, mas já estava de pé e suas mãos tremiam.
– Seu pai foi preso em um acontecimento no Ministério da Magia – disse Teddy, lançando um olhar significativo para os membros da ordem que assentiram. – Mas depois de um ano, mais ou menos, Voldemort o libertou.
Draco concordou com a cabeça, era informação demais. Deixou-se cair pesadamente e passou as mãos pelo cabelo, com um olhar perdido.
— Nada... nada, Milorde.
— Quanta mentira, Lucius...
A voz suave parecia silvar, mesmo quando a boca cruel parava de mexer. Um ou dois bruxos mal conseguiram refrear um tremor quando o silvo foi se intensificando; ouviu-se uma coisa pesada deslizar pelo chão embaixo da mesa.
O Sr. Weasley e Harry estremeceram, lembrando-se de Nagini.
A enorme cobra apareceu e subiu vagarosamente pela cadeira de Voldemort. Foi emergindo, como se fosse interminável, e parou sobre os ombros do mestre: o pescoço do réptil tinha a grossura de uma coxa masculina; seus olhos com as pupilas verticais não piscavam. Voldemort acariciou-a, distraído, com seus dedos longos e finos, ainda encarando Lucius Malfoy.
— Por que os Malfoy parecem tão infelizes com a própria sorte? Será que o meu retorno, minha ascensão ao poder, não é exatamente o que disseram desejar durante tantos anos?
— Sem dúvida, Milorde — respondeu Lucius Malfoy. Sua mão tremeu quando secou o suor sobre o lábio superior. — É o que desejávamos... desejamos.
– Claro, claro... Era tudo o que mais queríamos... – Draco Malfoy disse ironicamente, e as pessoas o olharam de um modo diferente. Pena, talvez?
Ele definitivamente não queria estar ali, recebendo olhares de pena do Santo Potter e seus amiguinhos.
A esquerda de Malfoy, sua mulher fez um aceno rígido e estranho com a cabeça, evitando olhar para Voldemort e a cobra. À direita, seu filho Draco, que estivera mirando o corpo inerte no teto, lançou um brevíssimo olhar a Voldemort, aterrorizado de encarar o bruxo.
— Milorde — disse uma mulher morena na outra metade da mesa, sua voz embargada pela emoção —, é uma honra tê-lo aqui, na casa de nossa família. Não pode haver prazer maior.
– Bellatrix. – Sirius e Tonks disseram em uníssono. Neville e sua avó murmuraram palavras desconexas, a maioria xingamentos e ameaças...
Luna inocentemente pegou na mão de Neville que parou no ato. Encarou a garota, depois suas mãos entrelaçadas e começou a corar absurdamente. Sua avó continuou a falar sozinha, e nem percebeu quando o neto afundou no assentou ligeiramente, ainda segurando a mão da menina que olhava para Mione como se nada de anormal estivesse acontecendo, embora tivesse um discreto sorriso.
Estava sentada ao lado da irmã, tão diferente desta na aparência, com seus cabelos negros e olhos de pálpebras pesadas, quanto o era no porte e na atitude; enquanto Narcisa sentava-se dura e impassível, Bellatrix se curvava para Voldemort, porque meras palavras não podiam demonstrar o seu desejo de maior proximidade.
— Não pode haver prazer maior — repetiu Voldemort, a cabeça ligeiramente inclinada para o lado, estudando Bellatrix. — Isso significa muito, Bellatrix, vindo de você.
– Que nojo esses dois. – George disse.
– Você faz parecer com que eles tenham alguma coisa a mais. – Gui disse rindo.
– Quem sabe? – Fred respondeu, fazendo com que algumas risadas surgissem ao redor da mesa.
Severus revirou os olhos em sinal de desgosto.
O rosto da mulher enrubesceu, seus olhos lacrimejaram de prazer.
— Milorde sabe que apenas digo a verdade!
— Não pode haver prazer maior... mesmo comparado ao feliz evento que, segundo soube, houve em sua família esta semana?
– Ops... – Draco, Tonks e Sirius falaram. Às vezes se esqueciam que eram parentes. E aquele “feliz evento” poderia ter acontecido com qualquer parente mais próximo deles ou com eles mesmos.
Bellatrix fitou-o, os lábios entreabertos, nitidamente confusa.
— Eu não sei a que está se referindo, Milorde.
— Estou falando de sua sobrinha. E de vocês também, Lucius e Narcisa. Ela acabou de casar com o lobisomem Remo Lupin. A família deve estar muito orgulhosa.
– O QUÊ? – metade da mesa gritou, enquanto Tonks corava furiosamente, seus cabelos crescendo e ficando vermelhos berrantes e Remus caía da cadeira.
Fred e George se levantaram fazendo uma dancinha esquisita, enquanto Harry e Ron correram para acudir Lupin que também corara, e tinha uma feição tão assustada e cômica, que fez até mesmo McGonagall rir.
Gui e Carlinhos reviraram os olhos e pagaram alguns galeões aos gêmeos, diante do olhar de Arthur eles deram de ombros e se justificaram.
– Apostamos um pouco antes da leitura começar, quem ficaria com quem. – Comentou Carlinhos. – Eu apostei que Tonks ficaria com o Gui.
– E eu que ela ficaria com o Carlinhos. – Comentou Guilherme.
– E nós que somos totalmente geniais... – Começou George.
– Apostamos no Professor Lupin – Concluiu Fred com um largo sorriso.
– Parabéns! – Congratulou Luna.
O suposto futuro casal ainda estava atônito. Emergiram desejos de felicidades e tapinhas nas costas, abraços. Molly chorava de felicidade, pois tinha Remus quase que como um irmão. Até mesmo Draco arriscou uma piada agradável sobre o acontecido, surpreendendo a si mesmo e aos outros.
Sirius deixou os dois ainda mais corados ao dizer que agora que Remus era finalmente da família, ele queria muitos lobinhos correndo pela sede, para que pudesse estender a era marota nas futuras gerações.
A essa altura Tonks parecia um tomate, e Remus engasgou, assim como outra pessoa.
Teddy tentou disfarçar, mas Hermione, Sirius e Dumbledore o encararam longamente.
O diretor olhou para o garoto, em seguida para Tonks e Remus e sorriu. Sem nada comentar sobre suas conclusões pediu a todos que tomassem seus lugares para continuar a leitura.
A mente de Hermione trabalhava furtivamente e ela começou com suas suposições do acontecido.
Sirius se surpreendeu com um pequeno detalhe. Os olhos antes azuis do garoto rapidamente lampejaram para um tom âmbar, antes de tornar a cor inicial e ele teve certeza, pelo menos um dos lobinhos já estava presente. Isso aumentou seu sorriso, sentou-se satisfeito. Olhando para a nova família reunida – mesmo que dois dos membros não soubessem que tinha um terceiro – e sentiu esperança.
Snape que não havia expressado nenhuma reação permaneceu impaciente e Mione pegou o livro para seguir de onde parou.
Tonks estava feliz, muito. Havia a pouco começado a se interessar por ele, mas nunca imaginou que chegaria a felicidade plena de ter um casamento.
Já Remus estava apavorado. Ele deve ter enlouquecido. Aquilo era perigoso para ela! E a ideia que Sirius impôs, sobre ter filhos foi ainda pior. Não podia fazer aqui, não podia!
Mas, quando viu o sorriso nos lábios de Dora, e as mãos dela escorregaram para a sua, ele ficou momentaneamente tentado a ter alguém em sua vida, tão adorável quanto ela.
Sacudindo a cabeça de leve para retirar os atuais pensamentos, pediu a Mione que seguisse a leitura. Ela piscou, um largo sorriso no rosto. Harry e Ron cochichavam com Gina as possibilidades de uma festa de casamento, o moreno imensamente feliz pelo “tio”.
Gargalhadas debochadas explodiram à mesa. Muitos se curvaram para trocar olhares divertidos; alguns socaram a mesa com os punhos. A cobra, incomodada com o barulho, escancarou a boca e silvou irritada, mas os Comensais da Morte nem a ouviram, tão exultantes estavam com a humilhação de Belatriz e dos Malfoy. O rosto da mulher, há pouco rosado de felicidade, tingiu-se de feias manchas vermelhas.
— Ela não é nossa sobrinha, Milorde — disse em meio às gargalhadas. — Nós, Narcisa e eu, nunca mais pusemos os olhos em nossa irmã depois que ela casou com aquele sangue-ruim. A fedelha não tem a menor ligação conosco, nem qualquer fera com quem se case.
— E você, Draco, que diz? — perguntou Voldemort, e, embora falasse baixo, sua voz ressoou claramente em meio aos assobios e caçoadas. — Vai bancar a babá dos filhotes?
Remus fez uma careta, assim como Tonks.
– Nem eu achei graça. – Fred comentou seriamente.
– Tio Voldy deveria fazer um curso de comédia. – George juntou-se ao irmão
– Tio Voldy? – Luna perguntou dando um sorrisinho.
– É, Voldy, sabe? Um apelido carinhoso pra você-sabe-quem...
Alguns riram não percebendo o rosto pálido de Malfoy ficar esverdeado.
A hilaridade aumentou; Draco Malfoy olhou aterrorizado para o pai, que contemplava o próprio colo, e seu olhar cruzou com o de sua mãe. Ela balançou a cabeça quase imperceptivelmente, depois retomou seu olhar fixo na parede oposta.
— Já chega — disse Voldemort, acariciando a cobra raivosa. — Basta.
E as risadas pararam imediatamente.
–Covardes e falsos. Ninguém que esta rindo por com tanta vontade consegue se segurar tão rápido. Mesmo com medo. – comentou Ron.
— Muitas das nossas árvores genealógicas mais tradicionais, com o tempo, se tornaram bichadas — disse, enquanto Belatriz o mirava, ofegante e súplice. — Vocês precisam podar as suas, para mantê-las saudáveis, não? Cortem fora as partes que ameaçam a saúde do resto.
— Com certeza, Milorde — sussurrou Belatriz, mais uma vez com os olhos marejados de gratidão. — Na primeira oportunidade!
– Não se eu puder impedir. – Remus exclamou de repente. Isso espantou os demais. Toda aquela veemência de Lupin para proteger seu casamento, sendo que ele não parecia aceitar totalmente ainda.
Teddy deu um pequeno suspiro triste, não passou despercebido por Sirius, que olhou para o jovem bruxo desconfiado.
— Você a terá — respondeu Voldemort. — E, tal como fazem na família, façam no mundo também... vamos extirpar o câncer que nos infecta até restarem apenas os que têm o sangue verdadeiramente puro.
Voldemort ergueu a varinha de Lucius Malfoy, apontou-a diretamente para a figura que girava lentamente, suspensa sobre a mesa, e fez um gesto quase imperceptível. O vulto recuperou os movimentos com um gemido e começou a lutar contra invisíveis grilhões.
– Quem será?- Molly perguntou apreensiva, as palavras de Snape ecoaram a deixando preocupada, poderia ser alguém de sua família. Arthur abraçou a mulher, esperando que não fosse alguém conhecido.
— Você está reconhecendo a nossa convidada, Severo? — indagou Voldemort.
De baixo para cima, Snape ergueu os olhos para o rosto pendurado. Todos os Comensais agora olhavam para a prisioneira, como se tivessem recebido permissão para manifestar sua curiosidade. Quando girou para o lado da lareira, a mulher disse, com a voz entrecortada de terror:
Todas as mulheres da sala estremeceram, poderia ser uma delas a prisioneira.
— Severo, me ajude!
— Ah, sim — respondeu Snape enquanto o rosto da prisioneira continuava a virar para o outro lado.
– É SÓ ISSO QUE VOCÊ FALA? – Ron se assustou com tamanha frieza do professor.
– Queria que eu fosse lá e a ajudasse, Weasley? Não seja idiota. – Severus responder com desdém.
– Não fale assim com meu filho! – Molly bradou.
Snape apenas deu de ombros e a leitura continuou. Hermione lançou um olhar de nojo indisfarçado ao professor e prosseguiu.
— E você, Draco? — perguntou Voldemort, acariciando o focinho da cobra com a mão livre. Draco sacudiu a cabeça com um movimento brusco. Agora que a mulher acordara, ele parecia incapaz de continuar encarando-a.
Draco ainda estava assustado com seu comportamento. Chegaria a esse ponto? Onde ele não aprovaria mais as ações do Lord das Trevas? Não tinha tanta certeza mais se ser Comensal da Morte como seu pai era sua melhor escolha.
— Mas você não teria se matriculado no curso dela — disse Voldemort. — Para os que não sabem, estamos reunidos aqui esta noite para nos despedir de Caridade Burbage que, até recentemente, lecionava na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts!
Minerva se assustou, suas mãos pularam para a boca e ela se engasgou engolind um grito de terror. Sua colega de trabalho seria capturada por Comensais e provavelmente morta por Voldemort? Uma lágrima desceu pelo rosto de Hermione. Ela gostava da professora, com quem teve aulas no terceiro ano. Os demais baixaram as cabeças, pesarosos. Molly fungou e o brilho nos olhos de Dumbledore se apagou. Teddy se sentiu incomodado, como reagiriam quando os mais próximos começassem a morrer? Pobre Harry – pensou – conhecendo-o como o fazia ele se martirizaria até o fim dos tempos.
Mione seguiu, com a voz embargada:
Ouviram-se breves sons de assentimento ao redor da mesa. Uma mulher corpulenta e curvada, de dentes pontiagudos, soltou uma gargalhada.
— Sim... a profª Burbage ensinava às crianças bruxas tudo a respeito dos trouxas... e como se assemelham a nós...
Um dos Comensais da Morte cuspiu no chão. Em seu giro, Caridade Burbage tornou a encarar Snape.
— Severo... por favor... por favor...
Snape balançou a cabeça. Ele não era nenhum santo, mas também não era fácil aguentar tudo aquilo e ainda ser “frio”.
— Silêncio — ordenou Voldemort, com outro breve movimento da varinha de Lucius, e Caridade silenciou como se tivesse sido amordaçada. — Não contente em corromper e poluir as mentes das crianças bruxas, na semana passada, a prof.ª Burbage escreveu uma apaixonada defesa dos sangues-ruins no Profeta Diário. Os bruxos, disse ela, devem aceitar esses ladrões do seu saber e magia. A diluição dos puros-sangues é, segundo Burbage, uma circunstância extremamente desejável... Ela defende que todos casemos com trouxas... ou, sem dúvida, com lobisomens...
– Ele fala como se não fossemos humanos! Ele me dá nojo... – Hermione falou, a repulsa evidente em sua voz, olhando para Lupin, que também tinha a mesma expressão que a menina.
– Como se ele também não fosse mestiço. – Harry falou cruzando os braços, e as pessoas na mesa assentiram. Gina que passara por uma das piores coisas nas mãos de Riddle nada disse.
Desta vez ninguém riu: não havia como deixar de perceber a raiva e o desprezo na voz de Voldemort. Pela terceira vez, Caridade Burbage encarou Snape. Lágrimas escorriam dos seus olhos para os cabelos. Snape retribuiu seu olhar, totalmente impassível, enquanto ela ia girando o rosto para longe dele.
—Avada Kedavra.
Apesar de todos já esperarem por isso, ficaram em silêncio por um tempo, absorvendo o que tinha acontecido. Hermione respirou fundo algumas vezes antes de continuar a ler.
O lampejo de luz verde iluminou todos os cantos da sala. Caridade caiu estrondosamente sobre a mesa, que tremeu e estalou. Vários Comensais pularam para trás ainda sentados. Draco caiu da cadeira para o chão.
– Corajoso você, hein doninha? – Harry zombou, tentando aliviar o clima.
– Cala a boca, cicatriz. Queria ver se fosse com você.
Harry não comentou que já passara por coisas piores. Draco parecia verdadeiramente doente, e o moreno sentiu um pouco de pena do rapaz.
— Jantar, Nagini — disse Voldemort com suavidade, e a grande cobra deslizou sinuosamente dos ombros dele para a lustrosa mesa de madeira.
Hermione deixou o livro escorregar para o chão enquanto caiam as lágrimas, a ultima parte fora a pior para ela. Ron lhe deu leves tapinhas nas costas, totalmente sem jeito e a castanha limpou enxugou o rosto com as mangas da camisa e se desculpou.
Remus e Sirius se encaram temendo o que viria a seguir, no primeiro capítulo já ocorrera uma morte, não queriam nem ver o que viria a seguir.
Os membros da Ordem pensavam no melhor jeito de remediar a situação, enquanto o Trio de Ouro ficava absorto em uma conversa juntamente a Neville e Gina. Os gêmeos tentavam convencer Gui e Carlinhos de que Harry ficaria com Hermione, enquanto os outros dois ruivos insistiam que seria com a tal Cho, sobre o qual Ron comentara uma vez. Eles apostaram e Luna os surpreendeu ao entrar na aposta insistindo que Harry teria um final feliz ao lado de Gina, o que fez os ruivos ficarem com as orelhas e pescoços vermelhos e fulminarem o moreno que não percebia nada.
Teddy que removera o livro do chão, nem percebeu a aproximação de Sirius.
– Eu sei seu segredo. – Comentou vagamente, Teddy assustou-se.
– Desculpe, senhor Black, não sei do que esta falando.
Sirius deu sua risada característica e bagunçou os cabelos do rapaz.
– Logo você vai ter que contar, lobinho – o rapaz arregalou os olhos – e não me chame de senhor Black novamente.
Estavam todos finalmente dispostos a retornar a leitura quando uma luz azul tomou conta das escadas que davam acesso ao porão. Um forte baque de um corpo caindo no chão ecoou e todos sacaram as varinhas rapidamente apontando para a porta.
Ouviram os passinhos rápidos descendo a escada aos pulos e prenderam o fôlego quando o que surgiu foi uma garotinha.
Ela era mínima, não parecia ter a idade de ir para Hogwarts ainda, seu corpinho magro e pequeno. Tinha a pele branquinha e cabelos ruivos-acaju um pouco abaixo dos ombros, meio lisos, meio ondulados e olhos castanhos bem claros. Ela parou encarando a todos furiosamente. Seus lábios repuxados em um biquinho e seu rosto vermelho ressaltando suas poucas sardas sobre o nariz e bochecha. Ela bateu os pesinhos impaciente e apertou os punhos até achar o que queria.
Ninguém falou nada, ainda com todas as varinhas apontadas para ela, que não pareceu se importar. A garota marchou até Teddy que estava de olhos arregalados e começou a bater nele com suas mãozinhas mínimas.
A cena poderia ser engraçada se não fosse tão improvável, não tinha como ela entrar na sede daquele jeito. Mas o que mais deixou a todos chocados, foi quando a garotinha começou a falar:
– Como... pode... fazer... isso... comigo...? - Ela socou o garoto na barriga mais algumas vezes, e esse parecia tão surpreso que não conseguia impedi-la. Quando seu abdome começou a doer de verdade ela a segurou pelos pulsos e ela se afastou.
– Acalme-se Li... – Ele tentou dizer, aquilo tudo estava saindo do controle. Mas a menina estava irada, e as próximas palavras gritantes dela calou os pensamentos de todos.
– ME ACALMAR? COMO PÔDE ME DEIXAR SOZINHA, TEDDY REMUS LUPIN?
– LIBERDADE? COMO ASSIM? – Draco perguntou desesperado, nem havia percebido, mas já estava de pé e suas mãos tremiam.
– Seu pai foi preso em um acontecimento no Ministério da Magia – disse Teddy, lançando um olhar significativo para os membros da ordem que assentiram. – Mas depois de um ano, mais ou menos, Voldemort o libertou.
Draco concordou com a cabeça, era informação demais. Deixou-se cair pesadamente e passou as mãos pelo cabelo, com um olhar perdido.
— Nada... nada, Milorde.
— Quanta mentira, Lucius...
A voz suave parecia silvar, mesmo quando a boca cruel parava de mexer. Um ou dois bruxos mal conseguiram refrear um tremor quando o silvo foi se intensificando; ouviu-se uma coisa pesada deslizar pelo chão embaixo da mesa.
O Sr. Weasley e Harry estremeceram, lembrando-se de Nagini.
A enorme cobra apareceu e subiu vagarosamente pela cadeira de Voldemort. Foi emergindo, como se fosse interminável, e parou sobre os ombros do mestre: o pescoço do réptil tinha a grossura de uma coxa masculina; seus olhos com as pupilas verticais não piscavam. Voldemort acariciou-a, distraído, com seus dedos longos e finos, ainda encarando Lucius Malfoy.
— Por que os Malfoy parecem tão infelizes com a própria sorte? Será que o meu retorno, minha ascensão ao poder, não é exatamente o que disseram desejar durante tantos anos?
— Sem dúvida, Milorde — respondeu Lucius Malfoy. Sua mão tremeu quando secou o suor sobre o lábio superior. — É o que desejávamos... desejamos.
– Claro, claro... Era tudo o que mais queríamos... – Draco Malfoy disse ironicamente, e as pessoas o olharam de um modo diferente. Pena, talvez?
Ele definitivamente não queria estar ali, recebendo olhares de pena do Santo Potter e seus amiguinhos.
A esquerda de Malfoy, sua mulher fez um aceno rígido e estranho com a cabeça, evitando olhar para Voldemort e a cobra. À direita, seu filho Draco, que estivera mirando o corpo inerte no teto, lançou um brevíssimo olhar a Voldemort, aterrorizado de encarar o bruxo.
— Milorde — disse uma mulher morena na outra metade da mesa, sua voz embargada pela emoção —, é uma honra tê-lo aqui, na casa de nossa família. Não pode haver prazer maior.
– Bellatrix. – Sirius e Tonks disseram em uníssono. Neville e sua avó murmuraram palavras desconexas, a maioria xingamentos e ameaças...
Luna inocentemente pegou na mão de Neville que parou no ato. Encarou a garota, depois suas mãos entrelaçadas e começou a corar absurdamente. Sua avó continuou a falar sozinha, e nem percebeu quando o neto afundou no assentou ligeiramente, ainda segurando a mão da menina que olhava para Mione como se nada de anormal estivesse acontecendo, embora tivesse um discreto sorriso.
Estava sentada ao lado da irmã, tão diferente desta na aparência, com seus cabelos negros e olhos de pálpebras pesadas, quanto o era no porte e na atitude; enquanto Narcisa sentava-se dura e impassível, Bellatrix se curvava para Voldemort, porque meras palavras não podiam demonstrar o seu desejo de maior proximidade.
— Não pode haver prazer maior — repetiu Voldemort, a cabeça ligeiramente inclinada para o lado, estudando Bellatrix. — Isso significa muito, Bellatrix, vindo de você.
– Que nojo esses dois. – George disse.
– Você faz parecer com que eles tenham alguma coisa a mais. – Gui disse rindo.
– Quem sabe? – Fred respondeu, fazendo com que algumas risadas surgissem ao redor da mesa.
Severus revirou os olhos em sinal de desgosto.
O rosto da mulher enrubesceu, seus olhos lacrimejaram de prazer.
— Milorde sabe que apenas digo a verdade!
— Não pode haver prazer maior... mesmo comparado ao feliz evento que, segundo soube, houve em sua família esta semana?
– Ops... – Draco, Tonks e Sirius falaram. Às vezes se esqueciam que eram parentes. E aquele “feliz evento” poderia ter acontecido com qualquer parente mais próximo deles ou com eles mesmos.
Bellatrix fitou-o, os lábios entreabertos, nitidamente confusa.
— Eu não sei a que está se referindo, Milorde.
— Estou falando de sua sobrinha. E de vocês também, Lucius e Narcisa. Ela acabou de casar com o lobisomem Remo Lupin. A família deve estar muito orgulhosa.
– O QUÊ? – metade da mesa gritou, enquanto Tonks corava furiosamente, seus cabelos crescendo e ficando vermelhos berrantes e Remus caía da cadeira.
Fred e George se levantaram fazendo uma dancinha esquisita, enquanto Harry e Ron correram para acudir Lupin que também corara, e tinha uma feição tão assustada e cômica, que fez até mesmo McGonagall rir.
Gui e Carlinhos reviraram os olhos e pagaram alguns galeões aos gêmeos, diante do olhar de Arthur eles deram de ombros e se justificaram.
– Apostamos um pouco antes da leitura começar, quem ficaria com quem. – Comentou Carlinhos. – Eu apostei que Tonks ficaria com o Gui.
– E eu que ela ficaria com o Carlinhos. – Comentou Guilherme.
– E nós que somos totalmente geniais... – Começou George.
– Apostamos no Professor Lupin – Concluiu Fred com um largo sorriso.
– Parabéns! – Congratulou Luna.
O suposto futuro casal ainda estava atônito. Emergiram desejos de felicidades e tapinhas nas costas, abraços. Molly chorava de felicidade, pois tinha Remus quase que como um irmão. Até mesmo Draco arriscou uma piada agradável sobre o acontecido, surpreendendo a si mesmo e aos outros.
Sirius deixou os dois ainda mais corados ao dizer que agora que Remus era finalmente da família, ele queria muitos lobinhos correndo pela sede, para que pudesse estender a era marota nas futuras gerações.
A essa altura Tonks parecia um tomate, e Remus engasgou, assim como outra pessoa.
Teddy tentou disfarçar, mas Hermione, Sirius e Dumbledore o encararam longamente.
O diretor olhou para o garoto, em seguida para Tonks e Remus e sorriu. Sem nada comentar sobre suas conclusões pediu a todos que tomassem seus lugares para continuar a leitura.
A mente de Hermione trabalhava furtivamente e ela começou com suas suposições do acontecido.
Sirius se surpreendeu com um pequeno detalhe. Os olhos antes azuis do garoto rapidamente lampejaram para um tom âmbar, antes de tornar a cor inicial e ele teve certeza, pelo menos um dos lobinhos já estava presente. Isso aumentou seu sorriso, sentou-se satisfeito. Olhando para a nova família reunida – mesmo que dois dos membros não soubessem que tinha um terceiro – e sentiu esperança.
Snape que não havia expressado nenhuma reação permaneceu impaciente e Mione pegou o livro para seguir de onde parou.
Tonks estava feliz, muito. Havia a pouco começado a se interessar por ele, mas nunca imaginou que chegaria a felicidade plena de ter um casamento.
Já Remus estava apavorado. Ele deve ter enlouquecido. Aquilo era perigoso para ela! E a ideia que Sirius impôs, sobre ter filhos foi ainda pior. Não podia fazer aqui, não podia!
Mas, quando viu o sorriso nos lábios de Dora, e as mãos dela escorregaram para a sua, ele ficou momentaneamente tentado a ter alguém em sua vida, tão adorável quanto ela.
Sacudindo a cabeça de leve para retirar os atuais pensamentos, pediu a Mione que seguisse a leitura. Ela piscou, um largo sorriso no rosto. Harry e Ron cochichavam com Gina as possibilidades de uma festa de casamento, o moreno imensamente feliz pelo “tio”.
Gargalhadas debochadas explodiram à mesa. Muitos se curvaram para trocar olhares divertidos; alguns socaram a mesa com os punhos. A cobra, incomodada com o barulho, escancarou a boca e silvou irritada, mas os Comensais da Morte nem a ouviram, tão exultantes estavam com a humilhação de Belatriz e dos Malfoy. O rosto da mulher, há pouco rosado de felicidade, tingiu-se de feias manchas vermelhas.
— Ela não é nossa sobrinha, Milorde — disse em meio às gargalhadas. — Nós, Narcisa e eu, nunca mais pusemos os olhos em nossa irmã depois que ela casou com aquele sangue-ruim. A fedelha não tem a menor ligação conosco, nem qualquer fera com quem se case.
— E você, Draco, que diz? — perguntou Voldemort, e, embora falasse baixo, sua voz ressoou claramente em meio aos assobios e caçoadas. — Vai bancar a babá dos filhotes?
Remus fez uma careta, assim como Tonks.
– Nem eu achei graça. – Fred comentou seriamente.
– Tio Voldy deveria fazer um curso de comédia. – George juntou-se ao irmão
– Tio Voldy? – Luna perguntou dando um sorrisinho.
– É, Voldy, sabe? Um apelido carinhoso pra você-sabe-quem...
Alguns riram não percebendo o rosto pálido de Malfoy ficar esverdeado.
A hilaridade aumentou; Draco Malfoy olhou aterrorizado para o pai, que contemplava o próprio colo, e seu olhar cruzou com o de sua mãe. Ela balançou a cabeça quase imperceptivelmente, depois retomou seu olhar fixo na parede oposta.
— Já chega — disse Voldemort, acariciando a cobra raivosa. — Basta.
E as risadas pararam imediatamente.
–Covardes e falsos. Ninguém que esta rindo por com tanta vontade consegue se segurar tão rápido. Mesmo com medo. – comentou Ron.
— Muitas das nossas árvores genealógicas mais tradicionais, com o tempo, se tornaram bichadas — disse, enquanto Belatriz o mirava, ofegante e súplice. — Vocês precisam podar as suas, para mantê-las saudáveis, não? Cortem fora as partes que ameaçam a saúde do resto.
— Com certeza, Milorde — sussurrou Belatriz, mais uma vez com os olhos marejados de gratidão. — Na primeira oportunidade!
– Não se eu puder impedir. – Remus exclamou de repente. Isso espantou os demais. Toda aquela veemência de Lupin para proteger seu casamento, sendo que ele não parecia aceitar totalmente ainda.
Teddy deu um pequeno suspiro triste, não passou despercebido por Sirius, que olhou para o jovem bruxo desconfiado.
— Você a terá — respondeu Voldemort. — E, tal como fazem na família, façam no mundo também... vamos extirpar o câncer que nos infecta até restarem apenas os que têm o sangue verdadeiramente puro.
Voldemort ergueu a varinha de Lucius Malfoy, apontou-a diretamente para a figura que girava lentamente, suspensa sobre a mesa, e fez um gesto quase imperceptível. O vulto recuperou os movimentos com um gemido e começou a lutar contra invisíveis grilhões.
– Quem será?- Molly perguntou apreensiva, as palavras de Snape ecoaram a deixando preocupada, poderia ser alguém de sua família. Arthur abraçou a mulher, esperando que não fosse alguém conhecido.
— Você está reconhecendo a nossa convidada, Severo? — indagou Voldemort.
De baixo para cima, Snape ergueu os olhos para o rosto pendurado. Todos os Comensais agora olhavam para a prisioneira, como se tivessem recebido permissão para manifestar sua curiosidade. Quando girou para o lado da lareira, a mulher disse, com a voz entrecortada de terror:
Todas as mulheres da sala estremeceram, poderia ser uma delas a prisioneira.
— Severo, me ajude!
— Ah, sim — respondeu Snape enquanto o rosto da prisioneira continuava a virar para o outro lado.
– É SÓ ISSO QUE VOCÊ FALA? – Ron se assustou com tamanha frieza do professor.
– Queria que eu fosse lá e a ajudasse, Weasley? Não seja idiota. – Severus responder com desdém.
– Não fale assim com meu filho! – Molly bradou.
Snape apenas deu de ombros e a leitura continuou. Hermione lançou um olhar de nojo indisfarçado ao professor e prosseguiu.
— E você, Draco? — perguntou Voldemort, acariciando o focinho da cobra com a mão livre. Draco sacudiu a cabeça com um movimento brusco. Agora que a mulher acordara, ele parecia incapaz de continuar encarando-a.
Draco ainda estava assustado com seu comportamento. Chegaria a esse ponto? Onde ele não aprovaria mais as ações do Lord das Trevas? Não tinha tanta certeza mais se ser Comensal da Morte como seu pai era sua melhor escolha.
— Mas você não teria se matriculado no curso dela — disse Voldemort. — Para os que não sabem, estamos reunidos aqui esta noite para nos despedir de Caridade Burbage que, até recentemente, lecionava na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts!
Minerva se assustou, suas mãos pularam para a boca e ela se engasgou engolind um grito de terror. Sua colega de trabalho seria capturada por Comensais e provavelmente morta por Voldemort? Uma lágrima desceu pelo rosto de Hermione. Ela gostava da professora, com quem teve aulas no terceiro ano. Os demais baixaram as cabeças, pesarosos. Molly fungou e o brilho nos olhos de Dumbledore se apagou. Teddy se sentiu incomodado, como reagiriam quando os mais próximos começassem a morrer? Pobre Harry – pensou – conhecendo-o como o fazia ele se martirizaria até o fim dos tempos.
Mione seguiu, com a voz embargada:
Ouviram-se breves sons de assentimento ao redor da mesa. Uma mulher corpulenta e curvada, de dentes pontiagudos, soltou uma gargalhada.
— Sim... a profª Burbage ensinava às crianças bruxas tudo a respeito dos trouxas... e como se assemelham a nós...
Um dos Comensais da Morte cuspiu no chão. Em seu giro, Caridade Burbage tornou a encarar Snape.
— Severo... por favor... por favor...
Snape balançou a cabeça. Ele não era nenhum santo, mas também não era fácil aguentar tudo aquilo e ainda ser “frio”.
— Silêncio — ordenou Voldemort, com outro breve movimento da varinha de Lucius, e Caridade silenciou como se tivesse sido amordaçada. — Não contente em corromper e poluir as mentes das crianças bruxas, na semana passada, a prof.ª Burbage escreveu uma apaixonada defesa dos sangues-ruins no Profeta Diário. Os bruxos, disse ela, devem aceitar esses ladrões do seu saber e magia. A diluição dos puros-sangues é, segundo Burbage, uma circunstância extremamente desejável... Ela defende que todos casemos com trouxas... ou, sem dúvida, com lobisomens...
– Ele fala como se não fossemos humanos! Ele me dá nojo... – Hermione falou, a repulsa evidente em sua voz, olhando para Lupin, que também tinha a mesma expressão que a menina.
– Como se ele também não fosse mestiço. – Harry falou cruzando os braços, e as pessoas na mesa assentiram. Gina que passara por uma das piores coisas nas mãos de Riddle nada disse.
Desta vez ninguém riu: não havia como deixar de perceber a raiva e o desprezo na voz de Voldemort. Pela terceira vez, Caridade Burbage encarou Snape. Lágrimas escorriam dos seus olhos para os cabelos. Snape retribuiu seu olhar, totalmente impassível, enquanto ela ia girando o rosto para longe dele.
—Avada Kedavra.
Apesar de todos já esperarem por isso, ficaram em silêncio por um tempo, absorvendo o que tinha acontecido. Hermione respirou fundo algumas vezes antes de continuar a ler.
O lampejo de luz verde iluminou todos os cantos da sala. Caridade caiu estrondosamente sobre a mesa, que tremeu e estalou. Vários Comensais pularam para trás ainda sentados. Draco caiu da cadeira para o chão.
– Corajoso você, hein doninha? – Harry zombou, tentando aliviar o clima.
– Cala a boca, cicatriz. Queria ver se fosse com você.
Harry não comentou que já passara por coisas piores. Draco parecia verdadeiramente doente, e o moreno sentiu um pouco de pena do rapaz.
— Jantar, Nagini — disse Voldemort com suavidade, e a grande cobra deslizou sinuosamente dos ombros dele para a lustrosa mesa de madeira.
Hermione deixou o livro escorregar para o chão enquanto caiam as lágrimas, a ultima parte fora a pior para ela. Ron lhe deu leves tapinhas nas costas, totalmente sem jeito e a castanha limpou enxugou o rosto com as mangas da camisa e se desculpou.
Remus e Sirius se encaram temendo o que viria a seguir, no primeiro capítulo já ocorrera uma morte, não queriam nem ver o que viria a seguir.
Os membros da Ordem pensavam no melhor jeito de remediar a situação, enquanto o Trio de Ouro ficava absorto em uma conversa juntamente a Neville e Gina. Os gêmeos tentavam convencer Gui e Carlinhos de que Harry ficaria com Hermione, enquanto os outros dois ruivos insistiam que seria com a tal Cho, sobre o qual Ron comentara uma vez. Eles apostaram e Luna os surpreendeu ao entrar na aposta insistindo que Harry teria um final feliz ao lado de Gina, o que fez os ruivos ficarem com as orelhas e pescoços vermelhos e fulminarem o moreno que não percebia nada.
Teddy que removera o livro do chão, nem percebeu a aproximação de Sirius.
– Eu sei seu segredo. – Comentou vagamente, Teddy assustou-se.
– Desculpe, senhor Black, não sei do que esta falando.
Sirius deu sua risada característica e bagunçou os cabelos do rapaz.
– Logo você vai ter que contar, lobinho – o rapaz arregalou os olhos – e não me chame de senhor Black novamente.
Estavam todos finalmente dispostos a retornar a leitura quando uma luz azul tomou conta das escadas que davam acesso ao porão. Um forte baque de um corpo caindo no chão ecoou e todos sacaram as varinhas rapidamente apontando para a porta.
Ouviram os passinhos rápidos descendo a escada aos pulos e prenderam o fôlego quando o que surgiu foi uma garotinha.
Ela era mínima, não parecia ter a idade de ir para Hogwarts ainda, seu corpinho magro e pequeno. Tinha a pele branquinha e cabelos ruivos-acaju um pouco abaixo dos ombros, meio lisos, meio ondulados e olhos castanhos bem claros. Ela parou encarando a todos furiosamente. Seus lábios repuxados em um biquinho e seu rosto vermelho ressaltando suas poucas sardas sobre o nariz e bochecha. Ela bateu os pesinhos impaciente e apertou os punhos até achar o que queria.
Ninguém falou nada, ainda com todas as varinhas apontadas para ela, que não pareceu se importar. A garota marchou até Teddy que estava de olhos arregalados e começou a bater nele com suas mãozinhas mínimas.
A cena poderia ser engraçada se não fosse tão improvável, não tinha como ela entrar na sede daquele jeito. Mas o que mais deixou a todos chocados, foi quando a garotinha começou a falar:
– Como... pode... fazer... isso... comigo...? - Ela socou o garoto na barriga mais algumas vezes, e esse parecia tão surpreso que não conseguia impedi-la. Quando seu abdome começou a doer de verdade ela a segurou pelos pulsos e ela se afastou.
– Acalme-se Li... – Ele tentou dizer, aquilo tudo estava saindo do controle. Mas a menina estava irada, e as próximas palavras gritantes dela calou os pensamentos de todos.
– ME ACALMAR? COMO PÔDE ME DEIXAR SOZINHA, TEDDY REMUS LUPIN?


